Alternativa é apresentada a produtores para solucionar problema de resíduos sólidos nas propriedades rurais

No município que se tornou o maior produtor mundial de soja, a agricultura movimenta a economia. Sorriso produziu na safra 2013/2014 2,7 toneladas de soja em aproximadamente  633 hectares plantados, segundo dados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) sem falar nas outras culturas como o milho, algodão, arroz, feijão e pecuária.Mas com o crescimento da atividade, ao longo dos anos, aumentou também a preocupação dos produtores em relação a um assunto: a geração indiscriminada de resíduos causados pelo plantio.Lonas, bags, sacos de sementes, baldes onde estavam armazenados os nutrientes, tudo vai se acumulando na sede e nos barracões das propriedades.A angústia dos produtores em não ter o que fazer com esses resíduos, foi dividida com a equipe do Clube Amigos da Terra (CAT), que rotineiramente visita as fazendas através do projeto “Gente que Produz e Preserva”.A coordenadora do projeto, Cynthia Cominesi, conta que diante dessa dificuldade dos produtores que estão dentro do projeto “Gente que Produz e Preserva, o CAT buscou alternativas para ajuda-los. “Nós tínhamos programado um dia de campo sobre a certificação da soja RTRS e achamos muito oportuno trazer para o evento esse assunto”. 

A alternativa, oferecida aos produtores de Sorriso e região veio de Sinop. É da capital do Nortão o palestrante João Luiz Crosara Abrahão. O empresário viu na preocupação dos produtores uma oportunidade de negócio. Ele conta que criou a empresa Canaã Norte Reciclagem, especializada em coleta de resíduos em propriedades rurais depois da conversa com um grande produtor. “Surgiu essa necessidade e eu decidi apostar na ideia e tem dado muito certo. Além de resolver o problema do acumulo de lixo nas fazendas o produtor ainda ganha dinheiro com isso”, completou Abrahão.

A empresa faz a coleta com um caminhão e paga por quilo. O valor varia de acordo com a localização da fazenda por causa do custo do frete. A empresa também oferece um valor fixo para os produtores que optarem por levar os resíduos até a empresa. Abrahão explica que o lucro é significativo e que as vantagens vão além da questão financeira. “Vai gerar em torno de R$ 300 a R$ 400 a tonelada mas além disso os nossos clientes recebem uma certificação de desagregação como propriedade ambientalmente correta”. 

Quem trabalha no campo, como a dona Adilene Locatelli aprovou a iniciativa principalmente por receber pelas boas práticas. “Ganhar dinheiro com o lixo é maravilhoso. Sem falar que vamos contribuir com o meio ambiente. Eu acredito que é uma questão de opção do produtor para dar o primeiro passo”, disse Adilene.

 Resíduos Contaminados

 Durante o plantio, as propriedades também produzem os resíduos classificados como contaminados. Um exemplo são as peças das máquinas agrícolas e os materiais que tem contato com óleo diesel. Nesse caso, a coleta não é feita pela Empresa Canaã Norte Reciclagem, mas como além de volume esse produtos químicos prejudicam o meio ambiente, empresas tem orientado os clientes e até recolhido esses resíduos. 

É o caso da Agro Baggio, concessionária John Deere.  A empresa começou a fazer a destinação correta dos resíduos contaminados produzidos nas lojas espalhadas pelo Brasil e depois ofereceu esse “serviço” aos clientes. “Todos os nossos funcionários são orientados a recolher os resíduos contaminados nas propriedades quando vamos até o local prestar um serviço. Óleo, filtros, papelão e plástico contaminado pelos lubrificantes tudo é recolhido e levado para a empresa de onde é encaminhado para o destino correto”, garantiu Rodolfo Yanosteac, gerente de serviço da empresa.

Produzir soja respeitando todas as normas de trabalho e regras ambientais, vão resultar na certificação da produção. Com isso o produtor aumenta a eficiência na gestão da propriedade, e demonstra que tem compromisso social e ambiental da produção.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que antigamente os resíduos rurais no Brasil tinham destinos inadequados. Do total do lixo da zona rural produzido no ano 2.000, por exemplo, 52,5% foram enterrados ou queimados. 

 Embalagens de Agrotóxicos 

 Desde 2002 o produtor tem a obrigação de devolver as embalagens vazias de agrotóxicos as centrais de recebimento espalhadas pelo país. Das centrais, as embalagens retornam para a indústria fabricante. É o chamado sistema de logística reversa.

Resíduos Orgânicos

 Quando o assunto é resíduo orgânico a melhor alternativa é a compostagem. Um processo biológico em que os microrganismos transformam a matéria orgânica em adubo. Método incentivado pelo CAT nas fazendas e também nas pequenas propriedades da agricultura familiar.

 O projeto Gente que Produz e Preserva, do Clube Amigos da Terra, o CAT, está sendo desenvolvido em parceria com a WWF Brasil, Instituto Centro de Vida, Bel, Solidariedad e IDH, e visa promover até 2016 um sistema de produção de soja sustentável em prol da proteção da biodiversidade no estado do Mato Grosso.

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