Primeiras propriedades rurais de Sorriso são certificadas no padrão internacional RTRS

O município de Sorriso, maior produtor de soja do mundo, agora tem nove fazendas certificadas no padrão internacional RTRS (A Round Table on Responsible Soy). A certificação foi através do projeto Gente que Produz e Preserva, do Clube Amigos da Terra (CAT), com apoio da WWF Brasil, Solidariedad, IDH e Bel.

O processo de certificação das propriedades em Sorriso começou em novembro de 2013 e está previsto para ser concluído em 2016. Nesta primeira etapa, os produtores cumpriram 61 indicadores de conformidade imediata ou seja, 61% dos indicadores totais que são classificados ainda como de curto e médio prazo.
Ao entrar no projeto, de forma voluntária, os produtores rurais selaram compromisso com a responsabilidade social e ambiental e precisam seguir cinco princípios básicos do padrão RTRS de produção: cumprir as leis e as boas práticas de negócios, oferecer boas condições de trabalho, respeitar e criar vínculos com as comunidades locais, cuidar do meio ambiente e adotar boas práticas agrícolas.

A certificação garante benefícios administrativos, econômicos, sociais e ambientais aos produtores. Administrativos porque melhora e gestão e a metodologia de trabalho; econômicos porque dá aos produtores oportunidade de acesso a mercados internacionais, acesso a programas de financiamento e recompensa pela venda do grão produzido na propriedade certificada (1 crédito por tonelada de soja certificada); ambientais pois utiliza o plantio direto, o manejo integrado de culturas reduzindo assim o impacto ambiental mantendo a biodiversidade e o alto valor de conservação e; sociais, ao motivar colaboradores em prol de melhorias contínuas, diminuir a rotatividade de funcionários, reduzir os acidentes de trabalho e melhorar as relações com a comunidade.

A proprietária da fazenda Santana, Dudy Paiva espera que a certificação RTRS reconheça e valorize os produtores. Ela conta que não foi difícil se adequar ao padrão, pois na propriedade já eram seguidas regras que respeitavam funcionários e o meio ambiente. “Na primeira auditoria foi constato que 80% das exigências já eram realidade na nossa fazenda. Então, procuramos adequar o que faltava e hoje a situação melhorou pra todos os envolvidos. É preciso ter a cabeça aberta e pensar em todos os ganhos, não apenas o financeiro. Tomara que a gente inspire outros produtores”, concluiu Paiva.

O CAT esteve presente em todo o processo. A equipe não mediu esforços para acompanhar de perto toda essa adequação nas propriedades. Os produtores e seus colaboradores abraçaram a causa com determinação. Para a diretora de sustentabilidade do Clube Amigos da Terra, Cynthia Moleta Cominesi, a certificação das propriedades foi um desafio. “No início tivemos um pouco de resistência de alguns produtores mas logo eles entenderam que estamos ali para ajudar a melhorar a propriedade. Hoje os produtores nos agradecem e estamos felizes por cumprir nosso papel. Essas nove fazendas são apenas as primeiras certificadas. Queremos expandir o projeto para outros produtores da região”, disse a diretora.

Para o presidente do CAT, Junior Ferrarin, certificar as propriedades em Sorriso foi uma conquista muito grade. “São as primeiras propriedades certificadas na Capital Nacional do Agronegócio. O produtor conseguiu organizar a fazenda seguindo a legislação trabalhista e ambiental e ainda vai ser recompensado por isso”, comemorou Ferrarin.

O projeto também quebrou paradigmas ao aproximar produtores de Organizações Ambientalistas. A WWF Brasil, decidiu apoiar o projeto depois que percebeu que produção e preservação podem sim andar juntas. “Nós acompanhamos todo o processo de certificação e estamos orgulhosos dos produtores de Sorriso. Eles são prova de que é possível melhorar seus sistemas de produção, com técnicas mais eficiente, produzindo mais, com menos recursos e preservando o meio ambiente”, afirmou o coordenador de programa de Agricultura e Meio Ambiente da WWF Brasil, Edegar de Oliveira Rosa.

Na fazenda Santa Maria da Amazônia, do Sr. Darci Ferrarin as coisas também mudaram. Alojamento novo para os funcionários, tanque de combustível com contenção para evitar o contato do produto com o solo e um barracão adequado para o armazenamento das embalagens de agrotóxicos vazias foram apenas algumas das adequações feitas para atender os padrões da RTRS. “Nós reflorestamos as cabeceiras dos rios, intensificamos a utilização do sistema integração Lavoura/Pecuária. Sem abrir novas áreas e usando a tecnologia a nosso favor, aumentamos a produtividade e preservamos o meio ambiente. Temos que fazer isso, a terra é o nosso ganha pão e precisamos cuidar bem dela”, afirmou o produtor.

Nesta quinta-feira (24/09) o CAT juntamente e parceiros realizam a cerimônia de entrega dos certificados as propriedades de Sorriso. As fazendas certificadas são: Jaborandi, São Felipe, Dakar, São Marcos, Santana, Videirense, Cella, Berrante de Ouro e Santa Maria da Amazônia (juntas totalizam 21.500 hectares).?

O Clube Amigos Da Terra está aberto para receber novos produtores interessados em fazer parte do Projeto Gente que Produz e Preserva. O CAT fica no segundo piso do Sindicato Rural de Sorriso e o telefone de contato é o (66) 3544-3379.
Visite também o nosso site www.catsorriso.com.br nele é possível conhecer o projeto e ter acesso ao guia passo a passo parasse tornar um produtor de soja RTRS.

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