Projeto Gente Que Produz e Preserva bonifica produtores com a venda de créditos

O Padrão RTRS de Produção de Soja Responsável foi criado em 2010, diante do esforço de várias partes interessadas, como os produtores, a indústria e a sociedade civil – envolvidos na cadeia de valor da soja, imbuídos em orientar os produtores de soja em matéria de produção responsável.

Esses atores envolvidos tiveram a oportunidade de discutir e chegar a um consenso sobre uma série de princípios e critérios para a certificação da soja como resultado de uma produção responsável. E chegaram aos pilares que formam a base do Padrão RTRS de Produção que são: Conformidade Legal; Condições Trabalhistas Responsáveis; Relações com a Comunidade Responsáveis; Responsabilidade Ambiental e as Boas Práticas Agrícolas. Portanto, os produtores certificados pela RTRS precisam adotar Boas Práticas Agrícolas que incluem plantio direto, adubação balanceada e rotação de culturas, entre outras.

O CAT – Clube Amigos da Terra de Sorriso é responsável por promover o Projeto “Gente que Produz e Preserva”, que viabiliza a certificação de soja de maneira ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável, de acordo com o Padrão RTRS (Associação Internacional de Soja Responsável).

O projeto tem como missão fazer com que a produção de soja ocorra atendendo o padrão internacional, respeitando todas as normas de trabalho e regras ambientais, que resultam na certificação da produção, aumentando assim, a eficiência na gestão da propriedade. Além disso, a conformidade legal, social e ambiental da produção abre portas para novos mercados e aumenta a competitividade.

Atualmente, existem 27 fazendas certificadas no padrão RTRS – que representam 118.175 hectares e área de cultivo 72.692 hectares em processo de certificação RTRS, recebendo auditorias periodicamente. Além disso, a comercialização dos créditos na plataforma da RTRS traz um retorno aos produtores, que recebem valores em dinheiro referente ao bônus pago pela venda da soja certificada.

O Consultor Externo da RTRS no Brasil, Cid Sanches, comenta a importância do projeto. “O trabalho realizado pela equipe do CAT é essencial para a existência de soja certificada no Brasil. Os produtores da região de Sorriso assumiram o compromisso de produzir e preservar. Inclusive, Sorriso é o maior município produtor de soja no país e tem potencial para que a produção de soja certificada cresça ainda mais nos próximos anos. E esse é o intuito da RTRS, fazer com que ano a ano mais fazendas sejam certificadas e engajar produtores a terem responsabilidade social e ambiental”, ressalta.

Produtores rurais dão seu depoimento sobre as vantagens de serem certificados pelo CAT no padrão RTRS

É nítida a comprovação dos benefícios por parte dos produtores que fazem parte do projeto de certificação. E através do CAT recebem todo acompanhamento necessário. Eles podem ver na prática as melhorias ambientais e econômicas dentro de suas propriedades. Isso faz com que surjam cada vez mais produtores interessados em realizar a certificação.

O produtor rural e fundador do CAT Sorriso, Darcy Ferrarin, proprietário da Fazenda Santa Maria da Amazônia, onde existe uma vitrine tecnológica de reposição florestal, comenta sobre a importância de cumprir com todos os quesitos especialmente na questão ambiental: “O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas isso não basta, a gente tem que preservar e o projeto Gente que Produz e Preserva exige muito do produtor. A propriedade tem que estar inserida dentro das normas e da Legislação Nacional para poder receber o seu certificado. Pra isso, é oferecido ao produtor um check list com mais de 120 critérios a serem cumpridos dentro da propriedade para atender as exigências da certificação. Isso é gratificante porque vem ao encontro do que o CAT prevê, com que o CAT quer que aconteça: gente que produz e preserva”.

Dudy Paiva, proprietária da Fazenda Sant’Ana é produtora e presidente do CAT e fala sobre a importância da assistência técnica dada aos produtores “Eles vêm até a propriedade, para nos passar o que fazer e a gente já tinha umas mudanças a serem feitas na fazenda e quando veio o projeto, pensamos em esperar para fazer tudo certinho, como tinha que ser feito. Tem tantas pessoas envolvidas, que qualquer dúvida as pessoas que estão dentro do projeto já resolvem indicando o melhor caminho. O nosso maior prêmio não é só receber o valor em dinheiro, mas sim receber o certificado. Nós ficamos muito felizes, porque quem não está esperando e aí receber um valor em dinheiro é um complemento, mas ficamos muito felizes com a certificação em si. Os cursos para os funcionários, tudo isso reflete em uma melhoria dentro da propriedade”.

O produtor rural Gustavo Viganó Piccoli, da Fazenda Rodeio, afirma que a certificação é extremamente importante e agrega valor ao negócio. “Quando o CAT trouxe a oportunidade de nós certificarmos a nossa fazenda, isso veio ao encontro daquilo que a gente precisa para atender a demanda atual dos mercados.  Para mim enquanto produtor, é extremamente importante fazer a certificação da minha propriedade e mostrar que eu estou agindo certo dentro das questões ambiental e social dentro da minha propriedade. Isso com certeza, também vai agregar valor ao meu negócio. Nós estamos aqui para deixar de herança para nossos filhos e para as futuras gerações além do econômico, nós temos que deixar a questão ambiental resolvida e nossos filhos terão que dar continuidade com essa responsabilidade ambiental. Isso é importante para as futuras gerações. A produção só é viável, quando estamos em acordo e em harmonia com o meio ambiente”.

Certificação bonifica produtores com a venda de 110 mil toneladas de créditos RTRS. O mercado tem crescido anualmente.

O produtor rural Luis Carlos Scapuccin, da Fazenda Jaborandi comenta sobre o bônus recebido com a venda de créditos, mas reconhece que isso não é o principal: “A grande vantagem que eu vejo é eu ter ajudado a melhorar a organização e implantar melhorias, não apenas no sentido ambiental, mas também no sentido trabalhista, de infraestrutura, que fomos aos poucos instalando na fazenda, a parte de sinalização. Mais produtores deveriam conhecer e se aproximar do CAT e desse programa em especial para que participem. Acho que o investimento que se faz no início vale a pena, traz satisfação, a gente vê resultado prático e que a gente está indo para o caminho correto. A partir do momento que a gente incorpora a filosofia da preservação e da sustentabilidade dentro da propriedade, a gente não sai mais dela. Tenho orgulho de estar participando disso porque estou oferecendo condições melhores para os meus funcionários e produtos melhores para os meus compradores”.

Clayton Tessaro, da Fazenda Santa Ernestina, é um dos produtores que aderiram ao processo de certificação e relata o que mudou em sua propriedade “A questão primeiro de tudo foi organizacional, colocamos toda a propriedade em ordem. Na questão ambiental tivemos todos os cuidados devidos, desde o lavador dentro das normas NR 31, depósito de embalagens vazias e depósitos de químicos também enquadrados nas normas, com caixa de contenção, lavanderia, ducha de emergência. Na questão funcionários, todos ganham com o bem estar, trabalhando em ambiente totalmente adequado e com segurança, cada um usando EPI’s e todos com treinamento na questão de sua própria segurança. Temos também uma técnica em segurança de trabalho que dá todo suporte e orientação a equipe de trabalho. Hoje trabalhamos com mais facilidade, o que temos de retorno e ter uma propriedade totalmente enquadrada dentro de normas e recebemos benefícios financeiros com os créditos gerados que são negociados em plataformas.”.

A produtora Ledair Cella, da Fazenda Cella, diz que “Com as adequações feitas para a certificação da fazenda, ficou muito melhor. Com a organização da oficina, das máquinas, guardando tudo nos devidos lugares, ficou mais funcional, facilitando o trabalho e o bem estar dos nossos colaboradores e também com o uso dos EPI’s corretos para cada função, reduziu muito os acidentes de trabalho.  Trabalhar com a documentação em dia facilita para fazer novos investimentos, além de tudo, temos o retorno das vendas dos créditos que ajudam muito nas despesas da fazenda. Desde sempre agradecemos o CAT por nos incentivar e ajudar sempre, colocando-se à disposição para esclarecer todas as nossas dúvidas”.

Os colaboradores das propriedades rurais também sentem os reflexos positivos do processo de certificação, como cita o trabalhador Fernando Antônio de Almeida. “Pra gente também ficou bom, porque muitas coisas que a gente vinha fazendo, até fora das normas, após essa certificação, a gente começou a adequar nossas ações no projeto e só trouxe melhoras, a limpeza do pátio, organização do barracão, que a gente já vinha fazendo, mas melhorou bastante, então ficou bem melhor para trabalhar”.

O projeto também traz melhorias para os produtores da agricultura familiar, com a assistência técnica em parceria com o Sebrae, que desenvolve um projeto de agroecologia. A produtora Maria Aparecida dos Santos “Pra nós melhorou muito, aqui a gente já não usava nada de veneno, e agora temos a assistência do engenheiro agrônomo que vem até a propriedade explicar sobre compostagem, o que pode passar nas plantas, está sendo ótimo, eu espero crescer mais e produzir cada vez mais. E que outras pessoas abracem o projeto para termos um meio ambiente mais saudável pra todo mundo”.

Saiba mais sobre o projeto

Para saber mais informações sobre o projeto “Gente Que Produz e Preserva” e o processo de certificação RTRS entre em contato com o CAT Sorriso pelo telefone: (66) 3544 – 3379. Ou acesse o site: www.catsorriso.com.br. O CAT funciona em sala anexa ao prédio do Sindicato Rural, na Avenida Marginal Esquerda, 1415, Bairro Bom Jesus, em Sorriso.

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